quarta-feira, março 12, 2014

Dia do Bibliotecário - Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas

Neste dia do bibliotecário, uma palestra que explica porque usar nossas imaginações e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos
pelo The Guardian, em 15/10/2013

É importante para as pessoas dizerem de que lado elas estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.
E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: eu sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos eu tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.
Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E eu sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.
E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.
E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.
Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças de 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.
Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.
E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. As pessoas alfabetizadas leem ficção.
A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a idéia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar idéias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.
A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.
Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, RL Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, por que cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que eles precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma idéia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.
Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler RL Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).
E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.
Empatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos auto-obcecados.
Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:
O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.
Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google, e eles perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E eles descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu. Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente.E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos e pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.
Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal, e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades e conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.
Como JRR Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.
A ilustração de Tolkien da casa de Bilbo
A ilustração de Tolkien da casa de Bilbo, Bag End. Foto: HarperCollins
Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.
Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler, e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série, eles ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.
Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.
Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.
Eu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.
Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.
Menino lendo em sua escola
Foto: Alamy
Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.
Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.
Uma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.
Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.
As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.
De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Ingaterra é o “único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis sócio-econômicos e tipo de ocupações levados em consideração”.
Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.
Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.
Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.
Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.
Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.
Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.
Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.
Nós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.
Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.
Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.
Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.
Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.
Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.
Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. “Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.
• Esta é uma versão editada da palestra do Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada dia 14 de outubro de 2013 (segunda-feira) no Barbican em Londres. A série anual de palestras da Reading Agency começou em 2012 como uma plataforma para que escritores e pensadores compartilhassem ideias originais e desafiadoras sobre a leitura e as bibliotecas.

terça-feira, outubro 16, 2012

MOBILIZAÇÃO CONTRA O AUMENTO DE 61% DO SALÁRIO DOS VEREADORES EM BETIM – MG



Esclarecimentos:

Os vereadores, em 02/10/2012 (às vésperas das eleições municipais) votaram SILENCIOSAMENTE um aumento de 61% sobre o valor de seus salários, passando de R$ 7.430,00 para R$ 12.025,00 (aumento real de R$ 4.595,00). Somando os 4 anos em que este aumento será aplicado, o município irá gastar só com os vereadores mais de R$5,4 milhões, valor este que daria para construir uma escola para 432 alunos e mais duas para 288 alunos, ou até mesmo contratar uma equipe de médicos suficiente para zerar as consultas dos betinenses que estão na lista de espera do SUS.

O aumento não passará pela sanção ou veto da prefeita, pois foi efetivado mediante Resolução Interna da Câmara Municipal  já publicada no órgão oficial no dia 06/10/2012 (Resolução n. 1.757 de 02 de outubro de 2012).  PORTANTO, QUEREMOS A REVOGAÇÃO DESTA RESOLUÇÃO, que pode ser feita mediante aprovação de nova norma aprovada pelos próprios vereadores.

A proposta foi de autoria da mesa da Câmara Municipal (Vereadores Nehemias Araújo – PV, Marcão do Universal – PSDB, Pãozinho – PV, Waldir Teixeira – PV e Wagner Rosa – PSC) e aprovada em redação final por 12 votos . Não participaram da votação do projeto os vereadores Nehemias Araújo – PV, presidente da câmara, que só tem o dever de votar em casos de desempate, Beto do Depósito – PSC e Ademar Soares – PSL, ambos ausentes na reunião.

Por se tratar de um aumento de 61% passando o salário dos vereadores de R$ 7,4mil para 12mil, em uma cidade onde mais de 60% da população ainda recebe valor máximo até um salário mínimo entendemos que o aumento é imoral.  Será que eles vão aprovar um aumento parecido para O SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL E DA CÂMARA?
 
Em Belo Horizonte os vereadores tentaram a mesma coisa, mas A POPULAÇÃO foi as ruas e impediu esta farra. Portanto a mudança só depende de VOCÊ!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Mais sobre o aumento de 60% do salário dos vereadores de Betim

Atualizações importantes sobre o aumento de 60% do salário dos vereadores de Betim!!

Oi pessoal! Estive correndo atrás de informações sobre este absurdo o dia todo! Vamos aos esclarecimentos:

1º - Foi uma resolução sobre o subsídio dos vereadores. O aumento foi ideia deles, especialmente da Mesa Diretora (Nehemias Araújo - PV, Marcão do Universal - PSDB, Pãozinho - PV, Waldir Teixeira - PV e Wagner Rosa - PSC). Como não é projeto de lei não depende da aprovação, só afeta o orçamento que vai para a Câmara, logo NÃO depende da aprovação da Maria do Carmo. Ou seja, eles aumentaram na cara de pau e sabem que ninguém pode fazer nada para impedi-los.

2º- Estavam presentes na reunião do dia 2 de outubro TODOS, com exceção dos vereadores Ademar Soares - PSL e Beto do Depósito - PSC. A resolução entrou na redação final com DOZE votos, juntamente com o projeto de lei de aumento do salário do prefeito, vice-prefeito, secretários e procurador geral.

Eles não queriam que soubéssemos! Votaram secretamente! Nenhum deles denunciou isto! TODOS SÃO CULPADOS!

Mas NÓS sabemos e NÓS vamos cobrar! É imoral! Um vereador ganhar 12 MIL REAIS só de salário e aposentados vivendo com 622 reais!! Eles aprovaram aumento de 5% para os servidores e 60% para eles próprios!

Você concorda com isso? Vai deixar isso passar em branco? Vamos nos mobilizar e mostrar para os vereadores que os moradores de Betim não queremos isto!
Assine a petição: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=CMB2012

Compareça à manifestação: https://www.facebook.com/events/361686450585550/permalink/361946657226196/


VEREADORES DE BETIM AUMENTAM O PRÓPRIO SALÁRIO EM 60%

EM 2013, OS 23 NOVOS PARLAMENTARES VÃO RECEBER O REAJUSTE SE SANCIONADO

Sem muito barulho, vereadores aumentam o salário em 60%


Lisley Alvarenga
politica@otempobetim.com.br

Hoje, a Câmara possui 17 vereadores. Cada um recebe um salário mensal de cerca de R$ 7.500, décimo terceiro e uma verba indenizatória de mais de R$ 4.000 (benefício que pode ou não ser usado por eles). Isso significa um gasto anual do Legislativo de R$ 2,5 milhões.




A proposta para aumentar os vencimentos dos vereadores que assumem em janeiro do próximo ano ainda não foi apreciada pela prefeita MDC, mas já causa polêmica. O reajuste do subsídio, um projeto de resolução de autoria da mesa diretora - vereadores Nehemias Araújo (PV), Marcão do Universal (PSDB), Pãozinho (PV), Waldir Teixeira (PV) e Wagner Rosa (PSC) -, foi aprovado pelos parlamentares no mês passado.



Estranhamente, o projeto foi promulgado pelo presidente da Câmara Municipal, Nehemias Araújo (PV), que informou à reportagem que não sabia que o pedido de projeto de resolução tinha sido encaminhado para publicação no "Órgão Oficial" do município.



Em sessão pouco comentada, os atuais vereadores concederam reajustes de 60% aos 23 colegas eleitos pela população em Betim nas eleições do último domingo (7).



Caso a decisão da Câmara se mantenha, o aumento passa a valer em 1º janeiro de 2013. 




No próximo mandato, a Câmara terá cinco vereadores a mais, e, com o aumento para R$ 12.025 mensais, o novo valor vai representar uma despesa de R$ 4,7 milhões para cada ano da nova legislatura.



O reajuste, segundo Nehemias de Araújo, "foi baseado no atual salário dos deputados estaduais de Minas, de acordo com a legislação estadual. A redação final do aumento foi aprovada por unanimidade pelos parlamentares. Como não fui candidato a vereador, não vou usufruir desse reajuste", disse.



O aumento da remuneração do prefeito, do vice, dos secretários e do procurador geral também foi aprovado pelos vereadores, mas aguarda a sanção da prefeita MDC (PT), que também pode vetar o projeto.



Se MDC aprovar, o salário do prefeito passará a ser de R$ 21.538, e o do vice, de R$ 14.358 (10% de reajuste para ambos). Já o procurador geral do município e os secretários vão ter uma aumento de 22,8%, passando o vencimento mensal para R$ 12.025.


Fonte: http://www.otempo.com.br/otempobetim/noticias/?IdEdicao=293&IdCanal=2&IdSubCanal=&IdNoticia=10243&IdTipoNoticia=1


UPDATE (10:41):

Constou no Diário Oficial de Betim do dia 06 de Outubro de 2012, às vésperas das eleições, no meio da balbúrdia e confusão do processo eleitoral. Poucos viram, mas ainda podemos nos mobilizar:

Peço a tod@s! Postem no twitter, facebook, enviem por e-mails, telefonem para os amigos, enfim, não vamos permitir esta palhaçada.

#VETAMARIADOCARMO 


RESOLUÇÃO  Nº  1.757, de 2 de outubro de 2012

DISPÕE SOBRE A FIXAÇÃO DE SUBSÍDIO DOS VEREADORES DA
CÂMARA MUNICIPAL DE BETIM PARA A LEGISLATURA COMPREENDIDA DE 1º DE JANEIRO DE 2013 A 31 DE DEZEMBRO DE 2016.

A Câmara Municipal de Betim, por seus representantes, aprovou e eu, Presidente, promulgo a seguinte Resolução:

Art. 1º O subsídio mensal dos Vereadores e Presidente da Câmara Municipal de Betim, com mandato compreendido de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016, corresponderá à importância de R$12.025,41 (doze mil, vinte e cinco reais e quarenta e um centavos), que será devida a partir de sua posse.

§ 1º Será descontado do subsídio a que fizer jus o Vereador a importância correspondente ao número de reuniões ordinárias a que o mesmo não comparecer, tendo como base de cálculo 04(quatro) reuniões ordinárias mensais.

§ 2º Não será considerada a falta do Agente Político quando este apresentar justificativa por motivo de doença ou força maior.

Art. 2º O Vereador não receberá “Jeton” pelas Reuniões Extraordinárias realizadas durante a Sessão Legislativa.

Art. 3º  O Vereador fará jus ao recebimento do 13º subsídio por ocasião do pagamento do 13º salário aos servidores, conforme art. 71, § 1º “h” da LOM.

Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Resolução correrão por conta das dotações próprias, constantes no Orçamento do Poder Legislativo Municipal.

Art. 5º Esta Resolução entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2013.

Câmara Municipal de Betim, 2 de outubro de 2012.

Nehemias Gaspar de Araújo
Presidente

Waldir Cardoso Teixeira
1º Secretário

(Originária do Projeto de Resolução  nº 1.757/12, de autoria da Mesa Diretora)

segunda-feira, março 26, 2012

I Read Some Marx (And I Liked It)


Se Katy Perry tivesse lido Marx, isso seria o que ela cantaria:

Lyrics are as follows:

I thought I just wanted to pass;
Good grades were all I cared for.
My college made me take the class
More stuff for me to ignore!
But then I found out that
His theories weren't so bad:
Labor and class combat,
What a very clever man!

CHORUS
I read some Marx, and I liked it;
The friend of the proletariat.
I read some Marx, just to try it;
Hope Adam Smith don't mind it!
It felt so wrong,
It felt so right;
Men of the working class, unite!
I read some Marx, and I liked it;
I liked it!

There is a spectre hanging o'er
The face of Europe!
'Tis communism, and it's more
Than just a social hiccup.
A time will come soon when
The masses rise as one
To carve out their place in
The brand new poetry to come!

CHORUS

Marx is the man, he's working for you;
The bourgeoisie, they just ain't your crew.
Alienation of labor is bad,
Commodification is not a good fad.
The capitalists are greedy you see;
A shorter workday, now that's what we need!
I'm reading some Marx, and I'm liking it;
Rise up now, proletariat!

CHORUS 

domingo, junho 19, 2011

Marx me liga

terça-feira, outubro 19, 2010

Agradecimentos da formatura

Vou postando aqui os agradecimentos, porque há muito o que agradecer e 700 caracteres é ridiculo (apesar de eu mesmo ter estabelecido isso) XD





ESTOU EDITANDO ISSO TODOS OS DIAS


"Amigo? Aí foi isso que eu entendi? Ah não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual, o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou - amigo - é que a gente seja, mas sem precisar saber o por quê é que é."

(João Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas)



            À Jesus Cristo, O Cara acima de todos os caras.

            À minha mãe, Ceiça, pelo afeto, exemplo e amizade.

            À meu pai, Zé da Padaria, mecena incondicional, motivo de orgulho.

            Ao meu irmão, Lucas, bróder e parceiro.

            Às minhas madrinhas, vó Lourdes e vó Maria.

            À memória de meu tio João e meus avôs, Pedrão e Custódio. À memória também do meu tio-avô Tatão que deixou tantas saudades.

            A todos os meus familiares consanguíneos (porque pra mim, amigo é família também), em especial:

           Meu Tio Donda, que me ensinou a ler através dos quadrinhos (X-men, Homem Aranha, Batman...), despertou meu interesse pela leitura e me viciou nos jogos eletrônicos que de alguma forma são parte do que eu tenho por identidade.

           Minha Tia Tidinha, que me amamentou e cujos filhos, Henrique, Tiago e Nathan, são os meus primos mais queridos, companheiros mesmo e que, mesmo que eu não esteja presente com eles, tenho uma consideração muito grande.

           Meu tio Márcio e meu tio Tobias, que sempre estiveram tão presentes.
           Meus primos do Rio de Janeiro: Carlitos, sua esposa Jandira e seus filhos Rodrigo e Carolina. Não tem nem explicação o que uma relação de compadres (meu pai e Carlito) é capaz de aproximar.

           Meu primo, também carioca, Douglas Alan.

           Meus tios-avós candangos Luzia, pelo afeto desde que nasci, e Nicanor, pelo exemplo e carinho pelos parentes mineiros. Aos filhos do Tio Nicanor, Gracieth, Macklaine e Gagá, grandes amigos, e a filha da Gracieth, Karoline.

            Aos mestres e amigos, Juarez Dayrell, Mario Fuks e Carlos Ranulfo. Professores que me ensinaram dentro e fora de sala de aula e que me deram oportunidades de tentar desenvolver minhas aptidões e habilidades na universidade e trilhar o tortuoso caminho das Ciências Sociais.

           Aos Huevos: Fegemo, Poser, Cayo, Leite, Paschoal e Tupas. Broders mesmo no sentido mais fóda que essa palavra tiver. Se eu não tivesse entrado no Pitágoras e conhecido vocês há 9 anos atrás, sei lá o que seria de mim agora.
             
           À Mercaptan, meu grupo de RPG que acompanhou desde que eu estava no segundo ano: Elder, Murdock, Cris. E aos novos integrantes: Dani e Chico.

           À amizade - o antológico Balu Mágico: André Drummond, Bruno Malaco, Fabrício Empadinha, Túlio Fleury, Daniel Sloth, Rodrigo Nugget, Alisson, Cobain, e claro, não menos importante, ao Balu. Pessoas da milhooor qualidade, exemplos de profissionais, exímios atletas, enfim, grandes amigos na UFMG.

           À todos os camaradas da FAFICH que foram companheiros de jornada na vida acadêmica e sempre estiveram presentes apoiando de alguma forma(sem ordem específica, porra): Laís Jabace, Zé, Diogo Carioca, Léo, Lívio, Silvio, Ana Luísa, Amanda Horta, Raquel Guilherme, Natália Bueno, Vinícius, Priscila, Cinthia Barros, Marina Brito, Breno Cypriano, Felipe Nunes, Fred,  e (eu vou lembrando e colocando aqui).

          Companheiros do SOL por acreditarem junto comigo em um projeto tão bacana e ajudarem a concretizá-lo na luta do dia-a-dia: Laís, Luiz, Ícaro, Isabela, Ana Amélia, P.A., Leo Taveira, Priscila, Denise, Paula e tantos outros.

           Amigos da Gestão Equilíbrio que dividiram momentos de tensão e alegria no CACS entre 2007-2008, entre processo de matrícula, cursos de metodologia, semana de Ciências Sociais, movimentos contra truculência na UFMG, REUNI, reuniões secretas varando as noites e nos finais de semana para decidir as coisas. Levo vocês comigo: Helga sempre amável, Luís Chefe, Bruno Jesus, Roberto, Alice, Malu, Aninha, Analice e Nayara.

          À atual gestão do CACS (Práxis), pelo apoio que possibilitou esta formatura: Matheus Cherem, Priscila, P.A., Junior, Isabela, Gabriel, Alysson, Ana Amélia, Sofia Repoles, Sofia Rodrigues, Bruno, Maria, Binha e todos que compõem a atual gestão.

          À memorável Cantina.
         
         À todos da TV UFMG.

         Aos amigos Naiara, Jorge, Todd, Tapas, Jaime e família, Margareth, Eliane.

         Aos amigos do AnimEmotionBH. Por tudo que me ensinaram e compartilharam comigo na esperança que continuemos a conversar, trocar idéias, nos divertir e passar um tempo juntos. Suzan, CarolKawaii, MestreKame, Kari, Amaral, Duo, widner, Rafa-chan, ATM_yUe, Kaxassa, SonicBlade, felinos, luchii, Robô, gordo, Tio (Tanaka, Rozen, Vincent), catymorreu, Borodon, Ruana, Lehefir, Kilikina, vMetalBR, Skald, tikrey, zaen, Xaxin, Zangetsu, Mel, Kenshin, P-chan, Anne, Anasick, hthaaa, Iara, saviorseph, Tsukawaii, Shinta, Priss, Dujour, Choggo, gueropa, dankun, Shark, Chrono, Marcelão, Sano, Tio Holy e todos os que eu provavelmente esqueci, mas sabem que tenho o maior apreço.

       À Marx, Weber e Durkheim.

       Ao Lula, o presidente que tive a oportunidade de acompanhar as mudanças por este país e pela intensa valorização ao ensino superior e ao desenvolvimento da ciência e tecnologia, notavelmente nas ciências sociais.

      Ao CNPq e à FAPEMIG, instituições de fomento a pesquisa, ensino e extensão do ensino superior brasileiro que deram possibilidades para que eu pudesse explorar minhas potencialidades e desenvolver os trabalhos ao longo de toda minha formação.

      À Tolkien, Blind Guardian, Sony e Nintendo.

sábado, junho 19, 2010

O descanso de José Saramago



"Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta ― mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro."

Trecho do livro Deste mundo e do outro, do escritor português José Saramago, falecido ontem, na Espanha. Leia também "A visão certa" e "Uma certa inocência". 

quinta-feira, maio 06, 2010

Veja e a farsa do jornalismo oportunista

Pra quem acompanhou a discussão é bem claro o que aconteceu: a Veja publicou uma matéria distorcendo dados, apresentando falsas informações e, pior, caluniando e falsificando declarações de um dos maiores etnólogos brasileiros. Não só o desrespeito, mas a total falta de ética profissional culminou em uma reação de todos que tiveram acesso ao debate. Segue a ordem:

A matéria de Veja: http://veja.abril.com.br/050510/farra-antropologia-oportunista-p-154.shtml

A nota de repúdio de Eduardo Viveiros de Castro (antropólogo - Museu Nacional): http://docs.google.com/View?id=dgnk7jn8_6573h5fcp

A resposta de Veja: http://veja.abril.com.br//noticia/brasil/brasil-todo-mundo-indio-quem-nao-555649.shtml

A tréplica de Viveiros de Castro: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/04/direito-de-resposta-a-veja-2/

Uma análise minuciosa das mentiras apresentadas na matéria (Por Rafael Barbi - UFMG): http://faire-savoir.info/2010/05/04/a-farra-do-jornalismo-oportunista/


É notável a insistência da revista em seu reiterado equívoco representando um desrespeito a toda a ética profissional do jornalismo, à sociedade brasileira, ao poder público, à comunidade acadêmica e, especialmente, à pessoa do Prof. Eduardo Viveiros de Castro. Acredito que o mínimo que se desejaria era um direito de resposta em igual proporção e formato na própria revista para, se não reparar, ao menos se retratar publicamente por tão significativo desprezo pela dignidade da opinião pública.



Leôncio Farias
Ciências Sociais - UFMG
Free Counter